quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Queriam conhecer o mar...

Há poucas coisas mais tristes do que presenciar a partida de grandes e bons amigos. Por mais que saibamos que a vida continua, quem fica, sente, por um tempo, aquele gosto amargo de uma palavra que poderia ter sido dita, mais um abraço que poderia ter sido dado, mais momentos de alegria vivenciados. Vivemos a vida de uma forma , às vezes, tão corrida, que esquecemos de valorizar de forma consistente, a conquista dos amigos que a qualquer hora podem estar se despedindo.

Estive em uma confraternização, no final de semana passado em Belém e lá revi um velho amigo, juntamente com sua família, esposa e filhos adolescentes. Revi também um amigo com olhos vivos e sinceros, juntamente com seu menino de 9 anos. Felizes, faziam planos para o futuro promissor que se avizinhava. De lá seguiriam os pais, juntamente com os filhos para Salinas. Os meninos queriam conhecer o mar. Se extasiaram com a grandeza do mar. Brincaram como meninos brincam na chuva, com sentimento inocente, leves, livres de problemas. Os pais, felizes em ver os meninos nadando em alegria, puderam proporcioná-los um presente sem tamanho e ao mesmo tempo receber em forma compensadora, toda a satisfação da felicidade dos filhos.

Quando falamos que existem apenas momentos de felicidade, não nos damos conta de que podemos prolongar tais momentos até uma eternidade. Isto significa viver intensamente as preciosas e simples oportunidades que a vida nos dá na companhia de quem amamos. Basta simplificar, perceber na vida aquilo que realmente importa, parar de perder tempo com as ‘maluquices’ ditadas por um mundo cada dia mais atravessado em vacilações, em obsessão por dinheiro e poder. Os meninos conheceram o mar.

Era hora de por o pé na estrada, voltar para casa, revigorados com a manifestação da natureza, do mar que tudo lava, dos dons divinos de Deus, da boa companhia, de um bendito e agradável fim de semana de festa sadia, sem vícios ou anormalidades. Todos eles viviam uma vida centrada, distantes do turbilhão de desequilíbrios que se vê por aí afora. Certamente, na viagem de volta, as conversas dentro do carro eram em torno de família, amizade, Deus, Paz.

Até posso ver o semblante dos meus queridos amigos transbordando felicidade, com sorrisos tranqüilos de pessoas simples de corações nobres. Mas, de repente, aproximando-se de casa, em uma curva na estrada, os mistérios que cercam a vida se manifestaram em forma de fatalidade, levando a presença de pessoas tão queridas, tão amadas por tanta gente, tão jovens.

Fica sim uma lembrança que, no momento, pode até causar dor, sofrimento e tristeza. Mas com o tempo ficará algo mais forte e vivo. Fica o exemplo de pessoas que passaram por esta vida , viveram e deixaram plantadas nesta terra, vastas sementes a florescer em um mundo melhor.
* Dedicado a Lourival, Fred, Thiago e Leland

Um comentário:

RiCarvalho disse...

A dor é grande para os que ficam, mesmo tendo os momentos de felicidades flutuando pela memória, trazendo-a para o coração como um jato de água em uma chama resistente, persistente em não se apagar esta dor. Mas a perseverança em continuar, em cuidar dos que ainda vivem, e a esperança em um dia reencontrar seu querido ente, ou simplesmente imaginá-lo em um local melhor, que a vida irá continuar e ainda há outros para nós cuidarmos. pois, apesar do clichê: a única coisa certa no mundo é a morte, e devemos fazer com que o que nos resta de vida valha a pena.

Ricardo Carvalho.