quinta-feira, 30 de julho de 2009

Schumacher é Massa

Como todo mundo já sabe, Schumacher pilotará o carro de Felipe Massa até o brasileiro estar pronto para correr novamente. Michael Schumacher disse que está pronto e, nos próximos dias, ele passará por um específico programa de treinamento. No fim, será dada a confirmação para ele participar do GP da Europa, no dia 23 de agosto - diz a nota oficial

“A coisa mais importante em primeiro lugar: obrigado a Deus, porque todas as notícias relacionadas ao Felipe são positivas. Eu desejo-lhe as maiores felicidades novamente. Estive reunido nesta tarde com Stefano Domenicali e Luca di Montezemolo e juntos decidimos que eu deveria me preparar para assumir o lugar de Felipe”, disse Schumacher.


domingo, 26 de julho de 2009

Preocupante

São 68 hospitais de referência, 1.978 leitos de UTI, R$ 126 milhões liberados emergencialmente pelo governo federal, 1 milhão de tratamentos antivirais e a dúvida se os números são suficientes para fazer frente ao avanço dos casos de gripe suína no País. Até ontem, 33 pessoas tinham morrido em decorrência da doença.

PEDIATRAS DEBATEM MORTALIDADE INFANTIL

O Dia do Pediatra, comemorado nesta segunda-feira, dia 27 de julho, será marcado por um amplo debate a ser realizado no dia 28 de julho, a partir das 20 horas, no Auditório da Estação Saúde da Unimed-Belém, com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Eduardo Vaz, sobre a importância e a valorização do profissional no mercado de trabalho e os desafios para reduzir a mortalidade infantil no Pará e no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em abril passado, mostram que no Estado do Pará, entre 2000 e 2007, registraram-se 24.511 óbitos infantis em crianças com menos de um ano de idade. No ranking estadual, o maior número de mortes ocorreu nos municípios de Belém (4.478), Ananindeua (1.490), Marabá (1.009), Santarém (959) e Parauapebas (546).

No Estado do Amazonas, por exemplo, neste mesmo período, ocorreram 11.878 óbitos infantis com crianças nesta faixa etária. Os municípios mais afetados foram a capital Manaus com (6.390), Parintins (399), Manacapuru (335), São Gabriel da Cachoeira (330) e Coari (294). Neste mesmo período, a Amazônia Legal, que envolve os Estados do Amapá, Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins, registrou 76.916 mortes de crianças menores de um ano de idade. O número corresponde a 17,32% dos óbitos infantis em todo o Brasil. No mesmo período, foram 443.946 óbitos nacionais.


Os dados do governo federal revelam ainda que aproximadamente 70% das mortes de recém-nascidos ocorrem por causas evitáveis, entre elas, falta de atenção adequada à mulher durante a gestação, no parto e também ao feto e ao bebê. Além desses fatores, a mortalidade infantil também está associada à educação, ao padrão de renda familiar, ao acesso aos serviços de saúde, à oferta de água tratada e esgoto e ao grau de informação das mães.


A presidente da Sociedade Paraense de Pediatria (SPP), Amira Figueiras, alerta para os desafios colocados aos pediatras. “Em julho de 2007, o Ministério da Saúde, por meio dos Cadernos de Informações em Saúde, divulgou que 25,7% dos óbitos no Pará eram por causas mal definidas. No Maranhão, o índice atingia 36,6%, e, no Amazonas 22,6% . No Amapá a atingiu 14,6%”, informa.


A presidente assinala ainda que as estatísticas refletem uma realidade diretamente relacionada a aplicação das políticas públicas nas instâncias da Federação brasileira e no setor privado. No Brasil, nos últimos anos, a taxa de mortalidade infantil vem diminuindo ano a ano, passando de 47,1 óbitos em menores de um ano por cada mil nascidos vivo em 1990 para 19,3 em 2007. “Pelos dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil está entre os 16 países, em um grupo de 68 nações, em condições de atingir a quarta meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e chegar à taxa de 14,4 mortes por mil nascidos vivos, em 2012, três anos antes da data limite fixada pela instituição internacional. Para tanto é necessário a contribuição de todos para atingirmos esta meta.”, enfatiza.


Amira defende que o declínio da mortalidade infantil no Brasil é resultado de vários fatores, dentre eles do aumento da cobertura vacinal da população, uso da terapia de reidratação oral, aumento da cobertura do pré-natal, melhoria na assistência ao recém-nascido, ampliação dos serviços de saúde na atenção primária, redução contínua da fecundidade, melhoria das condições ambientas, aumento do grau de escolaridade das mães e das taxas de aleitamento materno.
Para ela, reduzir estes índices é um desafio dos governos federal, estaduais e municipais.


“Nós da Sociedade Paraense de Pediatria, juntamente com a Sociedade Brasileira de Pediatria, não medimos esforços para combater a mortalidade infantil e contribuir para diminuir as desigualdades regionais e estruturais. Isso requer uma ação articulada entre as esferas federativas e a sociedade organizada. O debate na Estação Unimed-Belém é mais um reforço dos pediatras do Pará em busca do fortalecimento do pacto firmado com os governantes da Amazônia Legal”, destaca.

A Sociedade Paraense de Pediatria apóia as iniciativas do Ministério da Saúde, do governo do Estado e dos municípios, principalmente no que se refere a fortalecer a qualificação dos profissionais, pactuar metas e buscar resultados, melhorar as condições de trabalho e de remuneração dos pediatras, interagir com as equipes de Saúde da Família, trabalhar para ampliar o número de leitos hospitalares para criança e respaldar os investimentos em novas tecnologias para os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), finaliza Amira.

Contatos para entrevistas:
Amira Figueiras: 8123.3891 – 3249 9111 (SPP) – Residência – 3255. 0953
Isabel Neves – 8124. 8984
Texto de Kid Reis – 9942. 1171 - Jornalista Free-lancer - Mtb. 15.633 - SP- SP

Apuros

Por duas vezes perdi meu contador de acessos. Preciso de ajuda nisso...

sábado, 25 de julho de 2009

Sorte grande

Sortudo carioca ganha 56 milhões da mega-sena acumulada. Confira os números:

09 - 10 - 21 - 36 - 41 - 48.

A fome

Esse poema, do grande Manuel Bandeira, li a primeira vez aos 11 anos de idade e foi ele quem me apresentou a realidade crua do mundo:


"Vi ontem um bicho

Na imundice do pátio

Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa;

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem."


Rio, 27 de dezembro de 1947

Essa é boa para a saúde!

O Ministério da Agricultura lançou uma cartilha informando a população sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos, abordando também sobre a questão dos produtos transgênicos que "colocam em risco a diversidade de variedades que existem na natureza". Porém essas cartilhas não serão distribuidas porque a indústria dos alimentos transgênicos (Monsanto), entrou com uma ação que impede a distribuição. A cartilha foi ilustrada pelo Cartunista Ziraldo e ainda é possivel encontrá-la no site. Vale muito a pena!
Colaboração: Cristina Paraizo

Pauta Cidadã, o blog do Darci

O Prefeito Darci Lermen está assinando um blog e um twitter com temas interessantes; bela iniciativa. Já visitei e gostei.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Que é isso, fellows?

Uma fotografia dos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy, ganhou repercussão mundial em alguns dos principais sites da internet. A imagem não tem nada da protocolar "foto oficial". Ao contrário. Na foto, Obama e Sarkozy parecem observar uma mulher, mais tarde identificada como a brasileira Mayara Tavares, de 17 anos. Pode ser apenas uma imagem curiosa obtida de um ângulo sugestivo. Mas os sites internacionais não pouparam esforços para passar da descrição para a interpretação daquele olhar.

O tabloide alemão Bild não poupou ironia. Segundo o jornal, Obama "pode ser o homem mais poderoso do mundo, mas não está imune ao charme de um belo traseiro!" O "Bild" ainda brinca com o nome de Obama, o chamando de O-bum-a, um trocadilho com "bum", que significa bunda, em inglês.O "Herald" pergunta se "Obama estaria tendo lições com Berlusconi". O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi enfrenta um escândalo em que é acusado de promover festas em sua casa com a participação de garotas de programas . A matéria do "Herald" começa em tom de espanto: "Oh, querido - ela é jovem suficiente para ser sua filha". Jovem "observada" é brasileira de 17 anos

O suposto alvo do olhar de Barack Obama é a brasileira Mayara Tavares, de 17 anos. Ela é uma das representantes do Brasil na J8 (Cúpula Júnior 8), que reuniu 56 adolescentes, com o objetivo de dar visibilidade a sua opinião sobre as questões discutidas pelos chefes de Estado. A jovem do Rio de Janeiro falou à Rádio ONU sobre participação no J-8.

O jornal O italiano "Corriere della Sera" chamou de "indiscreto" o olhar de Obama. "Enquanto os líderes se posicionam para a foto], o olhar de Obama parece cair maliciosamente sobre uma garota", escreve o jornal.O americano "ABC News", no entanto, desmente essas interpretações. Segundo o correspondente Jake Tapper, a mesma imagem vista em vídeo parece "mais inocente". No vídeo, Obama aparece prestando uma gentileza e ajudando uma garota a descer os degraus. No entanto, Tapper deixa uma ponta de dúvida no ar. "Apesar disso, nem todos concordam. Julgue por si mesmo", escreve.

horário eleitoral é mesmo gratuito?

No Brasil, o “Horário Eleitoral Gratuito” de gratuito não tem nada. Decreto regulamentado em 2001 autoriza as emissoras de rádio e TV a abater no Imposto de Renda 80% do valor que seria pago por prováveis anunciantes na hora da exibição dos programas políticos.
Ou seja, é o contribuinte, mais uma vez, quem paga o pato. Para as últimas eleições, cada brasileiro pagou um R$ 1,34 para receber informações sobre os candidatos e os partidos políticos, uma vez que no Brasil há cerca de 184 milhões de habitantes.

A perda de arrecadação chegou a quase R$ 2,1 bilhões, em valores atualizados, desconsiderados os efeitos da inflação. Quando não há eleições, a isenção tributária para o horário eleitoral continua em vigor, pois mesmo em anos não eleitorais há propagandas institucionais de partidos políticos.

A renúnica fiscal das emissoras de rádio e televisão para veiculação do horário eleitoral obrigatório é garantida pela legislação eleitoral prevista na Lei 9.504 de 1997. Mas a regulamentação do espaço cedido ao horário eleitoral tem por base o decreto 3.786 de 2001.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vale: 60 vagas para engenheiros


Estão abertas as inscrições para o Programa de Especialização Profissional 2009 da Vale, que irá oferecer 60 vagas de pós-graduação para profissionais formados nos últimos três anos em Engenharia. O programa tem como objetivo especializar profissionais para a cadeia produtiva de mineração – mineração, porto e ferrovia.
O curso oferecido é o de Pós-Graduação em Engenharia Ferroviária, que terá cerca de 375 horas/aula e será realizado em regime integral, com duração de dois meses e meio, em parceria com instituições de ensino. Serão oferecidas duas turmas, com 30 alunos cada, uma em Belo Horizonte (MG) e outra em São Luís (MA). Os alunos selecionados receberão uma bolsa de estudo mensal no valor de R$ 2.000,00, totalizando R$ 5.000 no período do curso.
Os candidatos para a turma de Belo Horizonte devem ser residentes das regiões Sul e Sudeste do país. Para a turma de São Luís serão aceitas inscrições de candidatos do Norte e Nordeste. As inscrições vão até o dia 26 de julho e podem ser feitas através do site da empresa (www.vale.com).
Para se candidatar, o profissional deve ter até três anos de formado nos cursos de Engenharia Civil, Produção, Elétrica, Eletrotécnica, Eletrônica, Eletroeletrônica, Mecânica, Mecatrônica, Segurança, Meio Ambiente e Telecomunicações; ter domínio intermediário de inglês e disponibilidade para morar em São Luís ou Belo Horizonte ao longo do período do curso.
Conteúdo da Especialização
A formação compreende o desenvolvimento das competências técnicas, abordagens teóricas e práticas com aulas expositivas, além de visitas técnicas às áreas operacionais da Vale. Ao término do programa, o participante apresentará uma monografia como conclusão da sua formação e receberá certificado de conclusão do curso.
O programa de Especialização Profissional, oferecido pela Valer, departamento de educação da Vale, representa o compromisso contínuo da empresa com o desenvolvimento econômico e social das regiões em que atua, promovendo a formação para o trabalho, a cidadania e a inclusão social. No ano de 2008, o programa Especialização Profissional formou 330 alunos em três modalidades de pós-graduação: especialização em mina, em ferrovia e em porto.
O programa de Especialização Profissional, oferecido pela Valer (departamento de educação Vale) representa o compromisso contínuo.
Fases do Processo Seletivo
Após a análise curricular, serão aplicadas provas de inglês e raciocínio lógico. Na etapa seguinte haverá redação e dinâmica de grupo e, por último, entrevista pessoal. Todas as etapas são eliminatórias. Serviço: O que: Programa de Especialização ProfissionalQuando: 8 a 26 de julho de 2009 - Quantidade de vagas: 60 - Como se inscrever: acesse o site www.vale.com
Notícia originária do Blog do Hiroshi Bogéa

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Enquanto isso, no Senado Federal...


Burrocracia


Eu estive outro dia em uma “repartição pública” federal, em Marabá, a fim de começar a resolver uns problemas burocráticos. Fiquei pasmo ao constatar que em alguns setores da administração pública federal, parece que a determinação geral é procurar uma brecha para não atender, não resolver, não solucionar. Incrível. E olha que eu já tenho uma boa experiência dentro dos ‘trâmites administrativos”, digamos assim.

Imagina o que se passa com uma pessoa que não tem tanta desenvoltura em lidar com os entraves na “receita federal” da vida. Me deram um chá de cadeira e enquanto esperava, li um artigo interessante de um teólogo( Valmir Nascimento) a respeito de como seria caso a Justiça Divina atravancasse os pedidos desesperados da humanidade usando a burocracia dos humanos. Vejam que interessante o que ele escreveu:

“ Ainda bem que o Reino de Deus não é repartição pública. Senão, imaginemos a situação: Você, num momento de desespero e angústia, ajoelha-se para buscar a presença de Deus e receber uma resposta para as suas indagações. Pega o ‘telefone’ da oração e ‘disca’ diretamente para o Criador. Porém, quem atende é a telefonista dos céus: - Secretaria Divina, bom dia! Com quem o senhor gostaria de falar? Você leva um susto. Afinal nunca ouvira falar da Secretaria Divina; muito menos de uma telefonista dos céus. Mas você é persistente. - Eu quero falar com Deus, por favor. - Tem hora marcada? Responde a telefonista. - Hora marcada? Como assim, hora marcada? Apreensivo, você indaga.

A moça, num tom de especialista explica: - Muita coisa mudou meu querido. Como Deus andava cheio de compromissos, ocupado com as guerras e a fome das nações, e com o aumento do número das orações direcionadas pra Ele ultimamente, resolvemos fazer uma reorganização/reengenharia no Céu. Assim, para que o senhor possa conversar com Ele, será necessário agendar uma entrevista anteriormente, conforme dispõe o Decreto de Reorganização Superior.

Diz a Secretária: Vou acessar nosso novo Sistema de Informações Espirituais e verificar a ficha do senhor e o seu enquadramento. Estais brincando? - Não estou não. Estou seguindo a norma de Organizações & Métodos e se eu não fizer corretamente a Auditoria me pega. Aí, você já viu né, vai sobrar pra mim. - É simples, basta nos enviar uma petição redigida em papel A4, em três vias, junto com a cópia do RG, CPF, comprovante de endereço, titulo eleitoral e certidão de casamento. Depois, é só aguardar a decisão. Enquanto eu continuava com o chá de cadeira, dei graças a Deus que só aqui é assim...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Morangos à beira do abismo

Meus amigos, vale a pena ler este texto do Rubem Alves (foto).


"AMIGOS: ESTOU TRISTE. MORREU O MEU AMIGO JACY MARASCHIN, UM HOMEM LINDO, ESTETA, AMANTE DA MÚSICA... E MORREU O JOSÉ ARISTODEMO PINOTTI, COM QUEM TRABALHEI NA UNICAMP. ME DEU ENTÃO VONTADE DE ENVIAR PARA VOCÊS UM TEXTO QUE ESCREVI, A PEDIDO DE UM LABORATÓRIO, SOBRE O MORRER. PERDOEM-ME POR ISSO. O ASSUNTO DÓI. E É POR ISSO QUE LHES ENVIO: PRÁ DOER MENOS... RUBEM ALVES"


MORANGOS À BEIRA DO ABISMO




Um laboratório convidou-me a escrever um texto dirigido especialmente a pacientes com câncer. Ele seria parte de um livro todo ele dedicado a esse assunto tão delicado, tão humano, tãO doloroso. Esse é o texto que escrevi.


Ele era um homem com uma vasta cabeleira grisalha, olhos mansos e voz baixa e pausada. Acabara de completar setenta e três anos e já se notava um discreto ar de cansaço no seu semblante. Assentado no seu escritório, tinha nas mãos um livro de poemas de Fernando Pessoa que ele considerava o maior poeta jamais nascido. Sobre a mesa um cachimbo, amor antigo, tranqüilizante e perfumado. Fazia muitos anos que ele não era aceso. Ele o guardava porque ainda tinha saudades... Ouvia um CD de músicas barrocas que, segundo explicava, lhe traziam tranqüilidade de espírito. “Música barroca põe ordem nas confusões da minha alma”, ele dizia sorrindo. Era uma cena de paz.


A porta se abriu devagarinho, sem fazer barulho e sua neta de quatorze anos entrou. Entrou de um jeito diferente. No seu normal ela era efusiva, barulhenta e risonha. Dessa vez ela entrou com cuidado, sem fazer barulho. Havia uma razão para isso. É que ela tinha uma pergunta grave para fazer.


“-Vô, das conversas que os grandes estão cochichando com voz baixa pela casa eu ouvi que você vai morrer. É verdade? Você vai morrer?”

Ele sorriu ao ouvir a pergunta da menina. Ela confirmava uma coisa que ele já sabia, fazia muito tempo: as crianças falam sobre a morte com naturalidade. Não são como os adultos que não sabem o que fazer com a palavra e procuram sempre não dizê-la. Lembrou-se da lição que tivera 30 anos antes. Era manhã ainda muito cedo. Estava na cama dormindo. De repente foi acordado por sua filha de três anos...

A cena estava nítida na sua memória. Ela viera do seu quarto, estava vestida com uma camisolinha azul e seus pés estavam descalços. Ele se espantou. Isso nunca acontecera. Foi quando ela me perguntou: “quando você morrer você vai sentir saudades?” A pergunta de sua filha de três anos o deixou mudo. Ela nunca lhe tinha sido feita com tanta franqueza. Ele não estava preparado para ela, não sabia o que dizer. A menina então arrematou: “Não chore porque eu vou abraçar você...” Com seus três anos ela sabia muito sobre a morte. Sabia que morte tinha a ver com separação, com saudade e com tristeza. Onde aprendera? Que mais é preciso saber?

E agora era sua neta de quatorze anos que lhe perguntava sem nenhum rodeio: “Você vai morrer?” Se houvesse um outro adulto no escritório é possível que ele a repreendesse porque essa é uma pergunta que não se faz. “Quem foi que colocou essa idéia doida na sua cabeça? Seu avô não vai morrer. Ele está muito bem...”

Mas a verdade era que ele não estava nada bem. Dois dias antes ele recebera o resultado da biópsia. O tumor era maligno. Ele estava com câncer. Ele sorriu para a neta, levantou-se da poltrona onde estava, chamou-a para assentar-se ao seu lado no sofá e segurou sua mão carinhosamente.

O CD de música barroca acabara de tocar a “Ária para a 4ª. corda” de Bach e depois de três segundos de silêncio ouviu-se o som do órgão que tocava um coral também de Bach “Todos os homens devem morrer”. O avô pensou: “Que estranha coincidência... A Beleza transfigurando o Terrível...”

Iniciou-se, então uma longa conversa entre o avô e a neta sobre o Grande Mistério.
“Minha neta”, ele começou. “Eu vou morrer. Todos os homens devem morrer. Todo mundo sabe disso. A única dúvida é sobre o “quando”. Mas os grandes não querem e não sabem falar sobre a morte porque todos têm medo dela. Esses todos que devem morrer - eu, sua avó, seu pai, sua mãe, você, seus irmãos – se dividem em dois grupos. Primeiro é o grupo daqueles que vão morrer mas vivem como se fossem viver para sempre. Esses são os tolos. O outro é o grupo aqueles que vão morrer, sabem que vão morrer e, por isso mesmo, cuidam do tempo de vida que lhes resta. Esses ficam sábios. Eu recebi o aviso e sei que o meu tempo de vida não será muito longo.O aviso veio num exame de laboratório que me disse que estou com câncer. Todo mundo tem medo dessa palavra porque ao ouvi-la todos pensam na morte.
Assim, vou morrer. O que não quer dizer que muitos que não receberam o aviso não venham a morrer antes de mim. A morte é traiçoeira.”


O avô fez silêncio. Pegou o cachimbo que estava sobre a mesa e colocou-o na boca, vazio como estava. Sorriu pensando que ele parara de fumar muitos anos antes precisamente por medo de câncer. Pensou que a morte é matreira, pega no lugar onde não esperamos. Aspirou o ar do cachimbo vazio como se estivesse fumando e brincou com o pensamento de que agora, talvez, não fizesse mais diferença não fumar para evitar o câncer... Poderia voltar ao seu velho amigo. Talvez a fumaça e o perfume o levassem para um passado de saúde e o consolassem... Mas foi só um pensamento e ele colocou o cachimbo de novo no lugar onde estava...


Lembrou-se do poema de Alberto Caeiro, aquele em que o Jesus Menino fugiu do céu e veio para a terra escorregando num raio de sol. Lembrou-se da seriedade das conversas entre o poeta e o deus criança. E ali estava ele conversando seriamente com uma criança sobre uma coisa que dava medo. Mas era mais fácil conversar com sua neta que com os adultos.
“Sabe de uma coisa, minha neta?”, ele continuou. “Todos aqui em casa me amam. Eles sofrem por saber que estou com câncer. E eles tentam me consolar contando-me umas mentiras bondosas do tipo “tudo vai ficar bem”, “há recursos médicos muito avançados”...

O que eles querem é que eu e eles não soframos pelo pensamento da morte, que façamos de contas que nada vai acontecer.

Mas eu não quero palavras de consolo. Eu gostaria mesmo é que eles viessem até mim como você veio com a sua pergunta franca, e conversássemos sobre a vida que me resta – e a vida que resta para eles também... Você foi a única... E assim você ficou muito mais perto de mim...”
“Mas vô”, disse a menina, “qual é a vantagem de conversar sobre a morte?”

“Faz muitos anos eu li sobre a sabedoria de um feiticeiro índio que viveu perto da fronteira dos Estados Unidos com o México. O nome dele era D. Juan. As coisas que ele disse sobre a morte abriram os meus olhos. Comecei a vê-la de um outro jeito...”
O avô se levantou, foi até uma estante cheia de livros e de lá tirou um livro que tinha como título Viagem a Ixtlán. O autor era um antropólogo chamado Carlos Castañeda. O livro estava cheio de marcas vermelhas, os lugares que mais o haviam impressionado.


“Era uma conversa entre o feiticeiro e o antropólogo. Vou ler o que o feiticeiro disse sobre a morte. E então, com voz pausada, ele leu: "A morte é a nossa eterna companheira. Ela está sempre à nossa esquerda, ao alcance do nosso braço. A coisa a fazer, quando você se sente infeliz é voltar-se para a sua esquerda e pedir que a sua morte o aconselhe. E uma imensa quantidade de mesquinhez desaparece se a sua morte lhe faz um gesto ou se você simplesmente tem o sentimento de que a sua companheira está alí, olhando para você.


A morte é a única conselheira sábia que temos. Sempre que você sentir, como sempre acontece, que tudo está errado e que você está ao ponto de ser aniquilado, volte-se para a sua morte e pergunte-lhe se assim é. Sua morte lhe dirá que você está errado. Nada realmente importa, a não ser o seu toque. Sua morte lhe dirá: ‘Ainda não o toquei.' "
“Vô, disse a menina. “O feiticeiro disse que a morte fala. Mas eu nunca soube que a morte falasse...”

“Fala sim. Fala sem usar palavras. E o interessante é que a morte nunca fala sobre ela mesma. Ela só fala sobre a vida. Basta pensar nela para que a gente ouça a sua voz silenciosa nos perguntando: “E a sua vida, como vai? O que é que você está fazendo com o tempo que lhe resta?” Quem ouve essa pergunta está a caminho de tornar-se sábio. Por isso D. Juan disse que a morte é a única conselheira sábia que temos.

“E vô, o que é ser sábio?”, perguntou a menina.
“Ser sábio é saber aquilo que é essencial para uma vida, se não feliz (ser feliz inteiro é coisa muito rara! ), pelo menos aberta à alegria, quando ela nos pega em deliciosos momentos de distração. Ser sábio é saber a arte de garimpar a alegria. O diamante vem misturado com muita areia. O sábio olha, vê o diamante brilhando, pega o diamante e despreza a areia. O tolo pega toda a areia. É isso que D. Juan tinha em mente quando disse que diante da morte “ uma imensa quantidade de mesquinhez desaparece”. A morte nos faz ver que gastamos muito tempo com lixo

e, com isso, estragamos a vida.”

“E eu?”, continuou o avô, “o que é que a morte está me dizendo? Ela está me dizendo: “Ainda não o toquei!”

“Ela está me dizendo: você está vivo! Se estou vivo a minha vida está me oferecendo muitas alegrias. As alegrias que ela me oferece são as mesmas alegrias que ela oferece a todos os outros que ainda não receberam o aviso e fazem de contas que não vão morrer. Por isso, porque eles não têm consciência de que o tempo passa rápido, eles não prestam atenção nas alegrias que a vida lhes oferece. Friedrich Nietzsche, um dos homens mais sábios que existiu disse que ‘a certeza da morte poderia adoçar cada vida com uma gota perfumada de leveza...’
Quando os homens fazem de conta que vão viver para sempre eles não prestam atenção nas bolhas de sabão que fazem a vida. Pois a vida não é feita de bolhas de sabão? Tudo é efêmero e frágil como as bolhas de sabão... Mas elas são lindas, leves, transparentes, fazem adultos e crianças rirem, enchem o ar de alegria... Eu quero fazer muitas bolhas de sabão!
Vou lhe contar uma estória que já contei muitas vezes. É assim:
‘Um homem caminhava por uma floresta. Estava escuro porque a noite se aproximava. De repente ele ouviu um rugido terrível. Era um leão. Ele ficou com muito medo e começou a correr. Mas ele não viu o caminho por onde ia porque estava escuro e caiu num precipício. No desespero da queda ele se agarrou ao galho de uma árvore que se projetava sobre o abismo. Lá em cima, na beirada do abismo, o leão. Lá em baixo, no fundo do abismo, as pedras. E foi então que, olhando para a parede do abismo ele viu que ali crescia uma planta verde que tinha um fruto vermelho: era um morango. Ele então estendeu o seu braço, colheu o morango e o comeu. Estava delicioso.’
“Terminou a estória... As pessoas ao ouvi-la me perguntam: ‘Mas, e o homem? Ele caiu ou não caiu?’ Eu respondo: Quem está dependurado é você, sou eu. Mais cedo ou mais tarde cairemos. Mas é melhor cair com a barriga cheia de morangos que com a barriga vazia...
A vida é assim. Sei que estou pendurado sobre o abismo. Mas há muitos morangos a serem comidos... Eu comerei todos os morangos que puder, antes de cair...
Os morangos não são os mesmos para todas as pessoas. É a morte que nos obriga a escolher os morangos que queremos comer.”

“Vô, me conta alguns dos seus morangos”, pediu a neta. O avô então começou:
Conversar sobre a vida e a morte com uns poucos amigos, do jeito como estou conversando com você.

Escrever. Escrever é uma brincadeira que faço com as palavras e se parece com a montagem de um puzzle. A primeira alegria está na idéia, quando ela aparece sem que eu saiba de onde. A segunda alegria está em juntar as idéias para que elas formem um mosaico. A terceira alegria acontece quando o mosaico fica pronto. É a hora de compartilha-lo com os amigos.
Ler. Ao ler eu saio do meu mundo – e mesmo da minha doença – e entro em mundos fantásticos que me causam espanto, admiração, medo, aflição, emoção e mesmo amor. Lendo eu vivo outras vidas diferentes da minha.

Diariamente quero tomar banho de chuveiro com a atenção totalmente voltada para o prazer da água morna escorrendo sobre o meu corpo.

Cuidar de um jardim. Ele ficará como uma dádiva às pessoas que amo. Se eu tiver espaço quero plantar uma ou muitas árvores. Serão árvores sob cuja sombra eu nunca me assentarei. Um sábio judeu chamado Martin Buber escreveu que o homem que primeiro plantou uma árvore em cuja sombra nunca se assentaria, esse foi o primeiro homem a esperar o Messias. Plantando uma árvore eu anuncio a minha esperança quanto ao futuro da nossa Terra.

Ouvir minhas músicas preferidas. Outros escolherão músicas diferentes das minhas. Mas não importa. Quem melhor fala sobre a música é o meu amigo Artur da Távola. Ele diz: “Música é vida interior. E quem tem vida interior nunca está sozinho!”

Quero organizar um álbum com as fotos dos momentos felizes que tive para que eles se repitam sempre na minha lembrança...

Quero comer as comidas de Minas, frango com quiabo, polenta e pimenta, biscoito de polvilho com café com leite, quero chupar manga, mexirica, jabuticaba e banana prata bem madura com leite gelado...

Isso tudo, é claro, se houver tempo...
A hora para se comer morangos é sempre agora. O passado já foi. O futuro ainda não chegou. Passado e futuro são tempos que não fazem parte da nossa vida. O único tempo que está vivo e nos pertence é o agora. Então, é nesse agora que estamos vivendo que devemos comer o nosso primeiro morango.

Agora, minha neta, que morango vamos comer? Um poeminha da Cecília Meireles? Um bom-bom de chocolate suíço? Um sorvete? Uma partida de damas?...

Você começou essa conversa perguntando se eu vou morrer. É provável que eu morra dentro de um tempo não muito longo. Mas vou me esforçar para encher esse tempo que me resta com morangos vermelhos cheios de alegria...