domingo, 10 de novembro de 2013

TEOLOGIA MORAL DA MANGA

"O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num Banco, estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta. Começo de um novo ano... Novas perspectivas...E como não podia deixar de ser, também começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunami... Será que vai chover?Mas em determinado momento a conversa tomou um rumo: "- Qual é então o maior problema do Brasil para ser resolvido? "E aí o representante rural, nosso querido "Mazaropi da modernidade" falou com um tom sério demais para aquele dia:" - O Maior Problema do Brasil é que sobra muita manga! Tentei entender a teoria...Fez-se um silêncio e ele continuou: " - O senhor já viu como sobra manga hoje debaixo das árvores? Já percebeu como se desperdiça manga? "Sim... Creio que todos já percebemos isto... Onde tem pé de manga, tem sobrado manga...E aí ele continuou: " - Num país onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga... Isso é um absurdo! Num país que sobra manga tem pouca criança. Se tiver pouca criança as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas para acreditar que só "ice cream" e jujuba são sobremesas gostosas. Boa é criança que come manga e deixa escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho tem pai... Se tiver pai e manga de sobremesa é por que a família é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador... Se for trabalhador tem que ser honesto... Se for honesto, sabe conversar... Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é por que tem passarinho que canta e espaço para a árvore crescer e para fazer sombra... Se tiver sombra tem um banco de madeira para o pai chegar do trabalho e descansar...Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga é por que toca viola... E com certeza tá com o pé na grama... Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz... Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe rezar... Quem sabe rezar sabe amar... Quem ama, se dedica... Quem se dedica, ama, reza, canta e come manga, tem coração simples... Quem tem coração assim, louva a Deus. Quem louva a Deus, não tem medo... Nada faltará porque tem fé... Se tiver fé em Deus, vê na manga a providência divina... Come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar... Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem tá feliz.... não reclama da vida em fila do banco... " Daí fez-se um silêncio..." Rubem Alves

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O menino e o computador ( Juraíldes da Cruz)

 MENINO, SAIA DESTE QUARTO VENHA FALAR COMIGO QUE SOU TEU AMIGO E TENHO UM CORAÇÃO, VOCÊ NÃO É MÁQUINA NÃO DEIXE QUE A MÁQUINA FAÇA DE VOCÊ UM ROBOZÃO (DEIXE NÃO!)

 MENINO, SAIA DESTE QUARTO VENHA FALAR COMIGO QUE SOU TEU AMIGO E TENHO UM CORAÇÃO, VOCÊ NÃO É MÁQUINA NÃO DEIXE QUE A MÁQUINA FAÇA DE VOCÊ UM ROBOZÃO (DEIXE NÃO!)

 O menino e seu computador Virtual pra tocar, virtual pra sonhar Virtual pra brincar, virtual pra cantar Virtual pra tomar banho de chuva O menino e seu computador Achou que os frutos não eram mais frutos E aquilo que era fruta já não dava suco Já não tinha gosto. Seu rosto já não era mais um rosto real Sentado no seu quarto, seu mundo encolheu Não quis mais saber dos biscoitos da vovó Das histórias do vovô também não Seu mundo real desapareceu. VOCÊ NÃO É MÁQUINA! No meu tempo os meninos corriam brincavam, caiam, pintavam o sete, se lambuzavam. Mas rezavam antes de dormir. Hoje passam um e-mail para Deus.

 Quem estará respondendo as orações QUEM, QUEM, QUEM??

 Com tanto hacker, com tanto vírus, com tanta poluição no céu. Com tanto hacker, com tanto vírus, com tanta poluição no céu.

 MENINO, SAIA DESTE QUARTO VENHA FALAR COMIGO QUE SOU TEU AMIGO E TENHO UM CORAÇÃO, VOCÊ NÃO É MÁQUINA NÃO DEIXE QUE A MÁQUINA FAÇA DE VOCÊ UM ROBOZÃO (DEIXE NÃO!)

 MENINO, SAIA DESTE QUARTO VENHA FALAR COMIGO QUE SOU TEU AMIGO E TENHO UM CORAÇÃO, VOCÊ NÃO É MÁQUINA NÃO DEIXE QUE A MÁQUINA FAÇA DE VOCÊ UM ROBOZÃO (DEIXE NÃO!)


 O Menino e seu computador, já tão seduzido que não vê A luz do Sol, nem sabe que a Lua reflete tão linda... Hoje o seu quarto de Lua apaga e acende na “cola da gota” Não sou contra interromper! Depende do que..... Você não sai desse Ctrl-V desse Ctrl-C;  Luar de Monitor... Fala com sua mãe pelo MSN, cumprimenta o seu pai pelo orkut,   Pelo Google conhece a galinha e o pato. Cuidado menino, saia deste quarto Tem o bicho da seda, tem o bicho da goiaba, Vírus globalizado, on-line digital Tem o bicho de coco, tem o bicho do mato E você, que bicho que é rapaz? Colado, parado, pregado nessa tela, é um coró virtual! Colado, parado, pregado nessa tela, é um coró virtual!


 MENINO, SAIA DESTE QUARTO VENHA FALAR COMIGO QUE SOU TEU AMIGO E TENHO UM CORAÇÃO, VOCÊ NÃO É MÁQUINA NÃO DEIXE QUE A MÁQUINA FAÇA DE VOCÊ UM ROBOZÃO (DEIXE NÃO!)

 MENINO, SAIA DESTE QUARTO VENHA FALAR COMIGO QUE SOU TEU AMIGO E TENHO UM CORAÇÃO, VOCÊ NÃO É MÁQUINA NÃO DEIXE QUE A MÁQUINA FAÇA DE VOCÊ UM ROBOZÃO (DEIXE NÃO!)

 Tudo bem, vamos surfar A onda é conectada na internáutiuca Na era da robótica, da cibernética. E a ótica é interplanetária, interutilizada pelas mãos da não censura. Tudo bem, sem censura, sem censura! Mas a chave precisa saber, precisa conhecer o segredo da fechadura;

 ATÉ PORQUE, ATÉ PORQUE, ATÉ PORQUE TEM QUE TER ABERTURA MENTAL SADIA ATÉ PORQUE, ATÉ PORQUE, ATÉ PORQUE TEM QUE TER ABERTURA SOCIAL SADIA ATÉ PORQUE, ATÉ PORQUE, ATÉ PORQUE TEM QUE TER ABERTURA

 Você tem o direito de escolher, mas na liberdade da pura Tem o frio, tem o calor


 PORÉM, PORÉM, COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA;  COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA;  COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA;  COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA.

 O Ser humano é pensamento criador, mas precisa é conhecer melhor a criatura.  Não deixe o cachorro fazer xixi no seu cobertor, rapaz. É você quem manda nele ou quem manda em você é seu computador, HEIN?!?! Você não é máquina! Tudo bem, vamos navegar, vamos navegar! Mas não deixe de ver o mar, de ver o sol, de ver o céu. Tudo bem, vamos navegar, vamos navegar, mas não deixe de pisar no chão, De ser natural.

 COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA;  COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA;  COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA;  COM O DOMÍNIO DA TEMPERATURA.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

As Três Peneiras


Um homem, procurou um sábio e disse-lhe: - Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de... Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: - Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? - Peneiras? Que peneiras? - Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro? - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram! - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? - Não! Absolutamente, não! - Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? - Não... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar. E o sábio sorrindo concluiu: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque: Pessoas sábias falam sobre idéias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas. (atribuído a Sócrates)

domingo, 22 de setembro de 2013

INTIMIDADE - LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO


"Os dois na cama.

— Bem...

— Mmm?

— Posso te fazer uma pergunta?

— Se você pode me fazer uma pergunta? 40 anos de casados e você precisa de permissão para me fazer uma pergunta?

— É uma coisa que me intriga há 40 anos...

— O que?

— A sua calcinha pendurada no box do chuveiro...

— Sim?

— Está ali para secar ou para molhar mais?

— Como é?!

— A sua calcinha pendurada no...

— Eu ouvi a pergunta. Só não estou acreditando. Há 40 anos você vive com essa dúvida? O que a calcinha dela está fazendo no box do banheiro?

— É. Ela foi lavada e está secando, ou está ali para receber mais água?

— E por que você levou 40 anos para me fazer essa pergunta?

— Sei lá. Eu...

— Você achou que nós não tínhamos intimidade o bastante para tratar do assunto, é isto?. Que eram necessários 40 anos de vida em comum para podermos discutir a minha calcinha pendurada no box sem constrangimentos. É isto? Você sabe tudo ao meu respeito. Sabe toda a minha vida, conhece cada estria e sinal do meu corpo, sabe do que eu gosto e não gosto, em quem eu voto, sabe as minhas manias e os meus ruídos, mas estava faltando este detalhe. Este ponto cego no nosso relacionamento. O que a minha calcinha faz pendurada no box do banheiro.

— Não, eu queria perguntar há tempo, mas...

— Já sei. Você achou que fosse uma coisa só de mulher, que homem jamais entenderia. As calcinhas penduradas no chuveiro seriam uma espécie de demarcação de território, um ritual de congregação tribal. Um mistério que une todas as mulheres do mundo e um terreno em que homem só entra com o risco de enlouquecer. Por isso demorou tanto para fazer a pergunta.

— Nada disso. Eu só...

— Francamente.

Ele já estava quase dormindo quando se deu conta. Ela não respondera a pergunta"

(Luiz Fernando Veríssimo)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ATIREI O PAU NO GATO....(Alípio Mário Ribeiro)

OUTRAS DO ALÍPIO!


"ATIREI O PAU NO GATO!
Como lembrei-me desta canção ontem.
Estava no Peba. Fui ao shopping passear com minha filha, Luana. Altos papos, revi velhos conhecidos, bons alunos, Ana Darc. Assisti ao filme “Dose dupla”. Porcaria! Dose dupla de tédio, mortes, estória sem sentido e lógica. Defeitos especiais de terceira categoria!
Fui pra casa onde eu morava. Ainda não consegui alugar. Luana foi comigo. Levei dois colchões, roupas de cama e, depois de repassar com ela literatura, português, fomos dormir.
O forro, de plástico, começou a tremer. Alguns barulhos “poltergesticos” começaram a ser ouvidos de lá. Deduzi que era um gato correndo atrás de um rato. Era mais de meia noite. O barulho amenizou e caímos no sono.
Cinco horas! Gente! Amigos facebookers, CINCO HORAS!!! E não são da manhã, não! Pra mim, 5 horas não são nem de madrugada, são altas horas da noite! Eu estava num sonho maravilhoso. Sob o sol ameno da Riviera Francesa, com minha adorada Vanessa ao meu lado, um saboroso coquetel de frutas tropicais, belas e seminuas mulheres trafegando pela praia e um negão de 2 m de altura fazendo massagem nos meus pés. Não! Não sorriam! É porque, até no sonho, a Vanessa me controla. Se eu sonhar com algo menos que um negão de 2 m fazendo massagem nos meus pés, é caixão e vela preta! Ainda mais agora que ela está pra ter licença para matar!!
Vocês já ouviram o barulho de um trovão depois de um super estalo de um raio ultra brilhante subindo pelo céu?? Vocês têm noção do que é um barulho de um monte de louças derrubadas do alto de uma cristaleira por um guri peralta com cara de anjo? Sabem o quão estridente é o barulho de uma caçamba quando descarrega areia na porta do vizinho e o motorista vai pra frente e freia pra tampa bater e cair o resto que ficou na carroceria? Pois é... Agora junta tudo...
O teto desabou, literalmente, sobre minha cabeça. Todo o barulho citado vezes 10 se fez retumbar pelo quarto!! O sonho virou um terrível pesadelo. Sorte da Luana que dormia do outro lado. Era pedra, bosta de rato, poeira, areia, pelos, pregos... PQP!! O grito estridente da Luana deixou-me mais desorientado ainda. Eu ali, com cara de besta, parado que nem um rato na frente de um gato sem entender merda nenhuma. Seria um terremoto? A casa estava desabando? Um ladrão? O capeta? O negão do sonho?
Não!!! O negão virou um gato feroz que caíra do teto!
A “anta do gato”, branco com preto, mais assustado que eu, tirou-me, dos milésimos de segundos que pareciam horas, de minha perplexidade. O “jumento do gato” caíra do forro em cima de minha cabeça. Do berro que ele deu, até meu c ...abelo estremeceu. O “cavalo do gato” saiu na carreira pra cozinha, miando, uivando, que mais parecia uma onça matando anta na mata!
Analisei minha situação. Nada de sangue na cabeça, nem de merda na cueca. Ufa... A Luana estava paralisada. Achei que fosse um fantasma. Parti em busca do “asno do gato”.
Achei a “égua do gato” lá no outro quarto, tremendo mais que eu. Peguei o cinto e dei-lhe umas 4 chibatadas. A “mula do gato” virou besta. Partiu pro revide. Quase atropelei a Luana na carreira de volta. O caçador tinha virado caça!
“Sou homem ou um pé de batata?” Apesar de minha consciência ter me dado a certeza da segunda opção, virei com um chute certeiro nas fuças do “burro do gato” que ele foi parar lá na janela da sala. O “paquiderme do gato” se agarrou na grade da janela e não largava nem pra fazer oração!!
Fui me armar. Achei uma barra de cano de PVC. Encarei o “cachorro do gato safado e brabo” e já ia dar-lhe no meio “duzoi”... O bicho me encarou como quem diz: “eu me rendo”... Em vez de bater, cutuquei pra tirá-lo de lá e coloca-lo pra fora. “Tô dizendo que não se confia numa peste desta”. O “piranha do gato” lascou-me a unha e os dentes. Arranhou meu dedão machucado que o sangue jorrou. Aí eu fiquei brabo! E tome-lhe porretada, quer dizer, canada de pvc!! Ele partiu pra cima do cano, mordia, aranhava e berrava. Fiquei "cabreiro". Se conseguia fazer aquilo com um cano, quiçá com minha cara de anjo lindo que mamãe fez.
Abri a porta da sala. O “macaco do gato” queria sair não. A Luana disse: “taca água nele”!! Pegamos um balde e deixamos cair a tempestade na cara do felino malino. Ele firme. Rosnava, fedia mais que carniça de urubu depois de 5 dias apodrecendo no lixão do Peba. Encaixei o cano das ancas do bichano e consegui empurrá-lo porta afora.
A “anta-jumento-cavalo-asno-égua-mula-burro-paquiderme-cachorro-piranha-macaco do gato” deu um urro e caiu pelo piso de cimento. “Morreu”, pensei... Meio desconfiado, fui, devagar olhar o patife. O pulo que ele deu superou o do “anticristo” no filme ”O exorcista”. Ele pulou pra frente e eu pra trás. Se não me caguei naquela hora, cago mais não. Devo estar doente com uma bruta duma ressecadeira de merda que nem cirurgia dá jeito.
Ele ficou lá, rosnando feito onça braba. Fui pegar o celular pra tirar uma foto. Nem pedi pra Luana. A “bicha reia” tremia tanto que não carregava nem os cabelos que estavam todos arrepiados e de pé!! Quando voltei, o “xanin” já tinha vazado...
Estou que nem dona Chica. Admirado, até agora, com o berro que o gato deu!



Alípio Mário Ribeiro

sexta-feira, 5 de julho de 2013

NEW YORK - os primeiros momentos



"Os primeiros momentos são sempre os mesmos. Curiosidade, fotos, expectativas. Mesmo sabendo que iremos ficar 44 dias por aqui.

Chegamos sábado, 22.6. Fomos muito bem recebidos. Recebemos metrocard sem limite, gift card (um cartão de crédito com um determinado valor para usarmos como quisermos), a identidade estudantil e as chaves dos apartamentos. Quartos grandes, ducha forte e quente, sala, cozinha com fogão enorme e elétrico, geladeira novinha, moderna e grande, 2 banheiros. Excelente!!

Fomos, eu e mais 3 outros professores, explorar as redondezas. Estamos na Union Turnparkway Avenue, na parte de classe média alta do Queens. Casas típicas, sem muros, quintais e jardins muito bem cuidados e bonitos. Carros novos e de luxo abundam por aqui. O pessoal não é de ficar pelas ruas, razão de estarem sempre vazias. Vive em restaurantes, lanchonetes, bookstores ou em casa. Também não é de conversas. Anda de cabeças erguidas, sem olhar em nossos olhos; mas, se peguntarmos algo, torna-se educado, sem risos e responde.

Pensei que, com meus 1.71 m, fosse virar anão por aqui. Ao contrário. Muitas pessoas mais baixas que eu, inclusive professores, que são muito educados, sorridentes e prestativos.

A comida é muito calórica. Restaurantes e lanchonetes (fastfoods) têm mostruários com as comidas, preços e calorias de cada porção. Igual Subway, Mcdonald’s no Brasil. Arroz e feijão, só em alguns restaurantes. O gosto é diferente. Não tem aquele sabor brasileiro. Os preços variam de 12 a 40 reais para sanduíches. O cafezinho (um copo de 300 ml, custa 2,50 reais) tem de ser dividido pra 4 pessoas como nós, mas, eles bebem tudo!!. Paga-se em média 3 reais para beber refrigerante. Eles dão um copo de quase meio litro e a gente se serve à vontade, pode repetir, só não pode levar. É incrível a quantidade de comida jogada no lixo. Vimos colchões novos no lixo, livros, microondas. Mas ficam por pouco tempo, só antes da hora de serem recolhidos. As ruas são limpas e bem cuidadas.

As filas são respeitadas. Ninguém reclama. Ninguém pede identidade para usar o cartão de crédito, basta assinar um papel. Como a maioria dos cartões é de “gift card”, nem assinatura pedem. Todos dão troco, centavo por centavo.

Os ônibus são muito confortáveis e cheios de informações. Sempre têm avisos nos altofalantes sobre a próxima parada, rua, etc... A passagem é cara: 6 reais. Ainda bem que ganhamos cartão de ônibus e metrô sem limites. Todas as paradas contêm informações sobre horários, percurso. e são niveladas com a escada, ou seja, ao descer do ônibus, não há degraus. As cadeiras da frente são reservadas para idosos e pessoas com problemas de locomoção. Pode-se sentar nelas, mas se entrar alguém para usá-las, a pessoa levanta automaticamente e cede o lugar. Há câmeras pra todo lado. Os horários são sempre cumpridos.

Incrível!! Aqui, quase todos falam inglês!! (rsrsrsrsr)

No segundo dia, fomos pegar o metrô para Manhattan. Claro, como bons brasileiros e homens, nos perdemos, andamos pra dedéu. As professoras, que foram mais cedo, não tiveram problemas. Elas sabem perguntar, perguntar e perguntar... Já, nós, nos ferramos! Na volta de Manhattan, então!!! Pegamos uma tal linha 7 e fomos parar num bairro muito feio, um povo esquisito; trememos mais que maranhense no Peba quando anda de van! Fomos pedir informação para uma funcionária do caixa do metrô, para voltarmos para o campus. Ao nos dirigirmos para ela, havia uma senhora idosa falando algo. Ela saiu do caixa, uma negra de uns 100 kg e 1,80 m, xingou a “reia” idosa toda! A idosa tava falando que não tinha recebido o troco correto. A negra saiu e achou a moeda no chão. Quase que come a “reia”. Nos olhamos e vazamos! Fomos pedir informação em outro lugar... Foi um caso isolado!

Cada pessoa fala inglês do seu jeito. Tem gente de todo tipo, todas as cores. Muitas, acima do peso. E chegando mais: eu! Os asiáticos predominam: chineses, japoneses, indianos, coreanos, muçulmanos. Depois, mexicanos e brasileiros. Em todo lugar que íamos, havia alguém falando português. Inclusive nas lojas.

A Brodway é uma loucura! Mas muito legal, fantástica,doida. Deu vontade de ficar ali e fazer umas doideiras. Sentia-me em casa. Gente vestida, pelada, fantasiada, doida; cantores, atores, pilantras, vendedores, gente boa, ruim; mas todos com um objetivo: ser feliz!!

As pessoas se respeitam! Desde o Brasil, recebemos orientações sobre o comportameneto e privacidade delas aqui. Tem um tal de “harassment” muito doido. Não se pode tocar em ninguém sem permissão. Se for dito alguma ofensa para alguém, pode dar processo e prisão. Mas pode-se dizer o que quiser, fazer o que quiser, desde que não ofenda! NÃO É NÀO! Uma colega nossa foi fazer carinho numa criança aqui na escola. A mãe puxou a criança de perto com raiva e olhando feio. Fui dizer pro professor David Parker que ele se parecia com um ator vilão do filme Äs panteras”, ele olhou feio pra mim, apesar de ser legal pra carai!! Será que, se eu o chamasse de "Homem Aranha" seria expulso?? Contive-me. Não gostam de brincadeiras de mau gosto.

O que não gostamos foi do horário: só uma hora pra almoçar! Aqui eles comem muito no café da manhã, fazem um lanche rápido no almoço e mandam ver no jantar. As aulas vão de 8 às 12 h. Retornam às 13 h. Terminam às 17 h e o povo vai jantar! O restaurante fecha às 20 h!!!! Nesta hora, 8 da noite, ainda é dia!! O sol se põe lá pelas 20 e 45 h!! Uma doideira só!!

Anda-se muito! A universidade é enorme!! As salas de estudo comuns (que são usadas por todos) têm enormes e confortáveis sofás, mesas, computadores, internet que funciona e de graça!! As salas de aula têm tudo de informática, baixa-se o telão apertando m botão, som de qualidade, conforto. Os banheiros são muitos e limpos. Há que se ter cuidado com a privada! Se ficar com a bunda lá na hora da descarga, sujeita-se a ter as tripas sugadas pela força da sucção! Aquilo ali engole até c... de elefante!

Não há TV. Não vi nem o jogo do Brasil! Pode-se navegar nos sites do Brasil; mas, pra ver jogo, baixar programas gratuitos, é bloqueado. Qualquer download é pago!

Há várias cabines com comida, bebidas e outras coisas em todo lugar. Colocam-se moedas ou passa-se o cartão, pega-se o que pagou e fecha. Aí é que tá!! Será que no Brasil eles pegariam só o que foi pago e deixariam o resto lá? Porque, depois que a porta é aberta, se a pessoa for desonesta, leva o que quiser!
Agora, o sistema de saúde!!! Gostei não!! Mas isto é papo pra outro capítulo!!"

Alípio Mário Ribeiro

Academia Brasileira de Letras - componentes

Os atuais membros da Academia Brasileira de Letras são os seguintes (dezembro de 2012):

Cadeira Nome Eleição
1 Ana Maria Machado 2003
2 Tarcísio Padilha 1997
3 Carlos Heitor Cony 2000
4 Carlos Nejar 1988
5 José Murilo de Carvalho 2004
6 Cícero Sandroni 2003
7 Nelson Pereira dos Santos 2006
8 Cleonice Berardinelli 2009
9 Alberto da Costa e Silva 2000
10 Rosiska Darcy de Oliveira 2013
11 Helio Jaguaribe 2005
12 Alfredo Bosi 2003
13 Sergio Paulo Rouanet 1992
14 Celso Lafer 2006
15 Marco Lucchesi 2011
16 Lygia Fagundes Telles 1985
17 Affonso Arinos de Mello Franco 1999
18 Arnaldo Niskier 1984
19 Antonio Carlos Secchin 2004
20 Murilo Melo Filho 1999
Cadeira Nome Eleição
21 Paulo Coelho 2002
22 Ivo Pitanguy 1990
23 Luiz Paulo Horta 2008
24 Sábato Magaldi 1994
25 Alberto Venâncio Filho 1991
26 Marcos Vilaça 1985
27 Eduardo Mattos Portella 1981
28 Domício Proença Filho 2006
29 Geraldo Holanda Cavalcanti 2010
30 Nélida Piñon 1989
31 Merval Pereira 2011
32 Ariano Suassuna 1989
33 Evanildo Cavalcante Bechara 2000
34 João Ubaldo Ribeiro 1993
35 Cândido Mendes 1989
36 Fernando Henrique Cardoso 2013
37 Ivan Junqueira 2000
38 José Sarney 1980
39 Marco Maciel 2003
40 Evaristo de Moraes Filho 1984

quinta-feira, 4 de julho de 2013

As peripécias de um mineiro/paraense em New York - Parte I

O nosso amigo Alípio Mário Ribeiro, figura ímpar de Parauapebas, de Coronel Fabriciano (e do mundo!), professor de primeira linha, está nos Estados Unidos. Melhor, está na Capital do Mundo, New York. Ganhou uma bolsa de estudos concorridíssima para aprimorar ainda mais o seu inglês, que já é fluente. Inglês com sotaque mineiro! E cada dia que ele passa por lá, tem uma história interessante para contar. A de hoje, hilária, é a primeira de várias que registraremos aqui nos próximos dias, com a autorização dele. Me lembra o livro A História de um Cucaracha" do genial Henfil. Vamos lá: 
"UM DIA DE "MANÉ"!! ( por Alípio Mário Ribeiro)

"Perguntar não ofende...

A cidade de Virginia Beach é grande, bonita e bem cuidada. Banhada pelo oceano Atlântico , está ao lado de Norfolk, que possui a maior base militar dos USA! Tem uns 500 mil habitantes.

Paula me recebeu maravilhosamente. Fomos almoçar num restaurante chamado Catch 31, no Hilton. Quando entramos, pensei: "tô lascado! Aqui deve ser mais caro que comprar na Channel ou no Bebericar!" Ledo engano. Almoçamos muito bem e bebemos alguns drinks deliciosos por uns 120 reais.

De lá, fomos andar pela praia. Preciso rever meus conceitos e gosto pelas coisas. A praia é tão limpa e cuidada que achei feia. Estou tão acostumado com as praias no Brasil... Não quero, nem estou depreciando meu país, por mais que alguém pense isto. Nossas praias são as mais belas do mundo, e, muitas, também são limpas e bem cuidadas.

Paramos num "boteco", (confiram pelas fotos) super legal, para beber um cocktail e alguns "shots". Tiramos várias fotos. Enviei logo algumas pra minha esposa gostosona e linda, Vanessa, e para minha preta, Luana.

As pessoas vão me estranhar quando eu voltar. As palavras mais usadas aqui são: "please" e "thanks". E, qualquer coisinha de nada que se faça, um esbarrãozinho que seja, lá vem o "sorry"...

As frutas e algumas outras mercadorias ficam do lado de fora do supermercado, na calçada. Se quiser levar, leva. Não tem alguém pra te impedir. Mas, claro, as pessoas pegam, entram e ficam na fila pra pagar. Como seria se fosse no Peba?

A Paula, que mora por aqui há uns 200 anos, se perdeu. Se não fosse o GPS, estaríamos perdidos até agora.

Chegamos à casa dela. Típica, bonita, confortável e muito bem cuidada e organizada. David, o marido dela, recebeu-me com um honesto e afável abraço e muitos sorrisos. Ele disse num bom mas cheio de sotaque português: "Paula fala muito de você aqui. Diz que você é muito engraçado"!! Apresentaram-me Crystal, a linda filhinha do casal. Eles falam com ela em inglês e português.

Será que a Lúcia Paula Daiane Milhomens Ribeiro falou pro marido que eu trabalho num circo? Logo eu, o rei da seriedade? Deixa pra lá... Vou "queimar" a Paula agora não. É ela que vai cozinhar pra gente. Dei uma olhada no armário do banheiro, vi uns vidros com caveiras. Lembrei dos filmes de suspense americanos. Vai que algumas gotas daqueles vidros pinguem, por acaso, na minha comida?

Paula foi mostrar a casa. Coisa de brasileiro ou americano? Ao mostrar o banheiro a ser usado por mim, perguntou: - "Você sabe usar o banheiro?"

Quem não sabe usar um banheiro?

- " Claro que sei!" - Respondi.

Fui logo tomar um banho, ou "banhar", como dizem os maranhenses. Tentei cagar, mas, toda vez que fico muito tempo sentado ou viajando, e viajei 9 horas de trem de NY pra cá, encalho. A merda não sai nem com laxante. Depois de uma sensacional mijada de mais de um litro, fui baixar a tampa da privada. Como estou acostumado com aquelas tampas leves e de plástico, deixei a tampa cair. O barulho que ela fez pareceu um tiro de canhão. A abençoada da tampa devia pesar uns 8 kg!!

Alguém gritou lá de baixo: " Tá tudo bem aí?"

Gelei todo. Que vergonha!!

A banheira é igual a do quarto da escola. Pensei: "beleza".

Abri a torneira do chuveiro, conforme faço sempre e entrei na super ducha!!

PQP, viu!!!!!! A água estava fervendo mais que água de vulcão. A pele das costas estava pra virar pururuca! (Pururuca é o nome dado quando se joga azeite super quente na pele do porco, quando assado, para ficar sequinha e crocante). Foi tudo muito rápido. Não sabia se rasgava as cortinas, se gritava, se chorava ou se pedia pra morrer! Virei de peito pra água quente (o peito cabeludo ajudou a proteger), protegi o 'pelancudo' e fechei a torneira! Que sufoco do ca...!!! Que coisa de mané!!! Por que não deixei a Paula explicar o funcionamento do banheiro?"


segunda-feira, 22 de abril de 2013

MERCADO DE ESPECULAÇÕES



Há uma  célebre fábula que mostra, com simplicidade, como são os desdobramentos de crises e suas especulações.

Era Outono e os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo chefe se o inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. O Inverno, naquele caso, assemelha-se, com as devidas proporções, à "crise econômica global" atualmente enfrentada. Ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos,foi dizendo que sim, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para agüentar um inverno frio.

Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma idéia. Dirigiu-se à cabine telefônica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou: - 'O próximo inverno vai ser frio?'- 'Parece que na realidade este inverno vai ser frio' respondeu o meteorologista de serviço. O chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico: - 'Vai ser um inverno muito frio?'- 'Sim,' responderam novamente do outro lado.- 'O inverno vai ser mesmo muito frio'.

Mais uma vez o chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas.Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:- 'Vocês têm a certeza que este inverno vai ser mesmo muito frio?'- Absolutamente' respondeu o homem. 'Vai ser um dos invernos mais frios de sempre; pode gerar uma crise braba . Comprem logo a alimentação que precisam porque tudo indica que as coisas vão subir de preço' -

' Como podem ter tanto a certeza?' perguntou o Chefe. O meteorologista respondeu:- 'É que os índios estão cortando lenha que nem uns doidos.' 

domingo, 14 de abril de 2013

LUZ, MAIS LUZ!! disse Goethe!

Lich, mehr licht” (Luz, mais luz) - Últimas palavras atribuídas a Goethe



Todos deveríamos olhar em alguma direção em busca de algo, para um horizonte mais límpido, guiado por nossa luz interior. Temos todos ânsias e desejos, que ficam, amiúde, encobertos no lodaçal do obscurantismo mundano. Preocupações pífias, um trabalho que somente nos serve à sobrevivência, um companheiro que não atende nossas expectativas, uma vida de faz-de-conta. Faz-de-conta que sou feliz.

Então, atabalhoados, a certa altura da vida, paramos para pensar em nossas escolhas (sim, sempre elas) e aonde elas nos conduziram. Que caminho poderíamos ter tomado naquela encruzilhada? O que teria mudado? E mesmo que estejamos certos de que, naquele momento, fizemos o melhor que podíamos ou, na pior das hipóteses, o que nos era possível fazer, a dúvida paira, como uma nuvem negra a confundir os pensamentos e a nos lançar um turbilhão de desculpas.

O que é preciso para se ter uma vida mais consciente, com escolhas que teriam maiores chances de sucesso? Por que sempre tropeçamos no auto-engano, na autossabotagem? Negligenciamos nosso potencial, aceitamos o que é razoável, pois, na dúvida, “é sempre melhor um pássaro na mão do que dois voando” e, assim, desprezamos o melhor.

Vemos, por todos os lados, todos os dias, cada vez mais, autômatos a caminharem pelas ruas, sem o mínimo sentido de existência, de questionamento. Apenas estão ali, cumprem seu papel na engrenagem social e, quando não forem mais necessários, serão descartados, res inutile, como fossem parafusos enferrujados, cujo único destino é o ferro-velho.

Seguimos, a maioria de nós, uma rotina mecânica: acordar, cumprir os afazeres, aguardar o horário do almoço ou, às vezes, somente do lanche, depois mais trabalho, aguardar a hora de ir para casa, satisfazer as necessidades básicas e, no dia seguinte, repetir o ato, sem sequer mudar a ordem estabelecida.

O fato é que “a vida” nos levou a isso, à “coisificação” do humano, onde a mais-valia é vista em seu sentido puramente capitalista de produção versus horas de trabalho. Não há tempo para o desenvolvimento pessoal, expressão essa vista até mesmo com certa ojeriza por grande parte das empresas, que o tem (o desenvolvimento pessoal) como um custo a mais, sem enxergarem o benefício que pode ser auferido posteriormente, com o incremento na produção, para citar o mínimo.

O sonho de Aristóteles, o filósofo estagirita, era de que as máquinas substituíssem o trabalho braçal, para que os homens (ou os cidadãos, na época) tivessem mais tempo livre para se dedicar aos seus interesses. Qual seria seu espanto ao ver o nível técnico a que a humanidade ascendeu, mas em detrimento de seu nível moral, intelectual, físico e mesmo mental. Temos robôs que realizam os mais diversos tipos de serviços, máquinas que substituem com precisão funcionários em diversos postos de trabalho, facilidades que nos possibilitam produzir mais sem termos que nos deslocar ao local de trabalho e, no entanto, o que vemos é a mais completa inversão de valores.

Tudo isso só nos levou a uma ganância desmedida, tornando-nos competidores implacáveis, sempre em busca de metas, de cumprimento de prazos, de superação, para ter, como galardão, uma posição de destaque, que, por sua vez, irá nos conferir mais trabalho e responsabilidade. Caímos então em um círculo vicioso, mas sequer nos apercebemos disso, pois temos que “fazer o nosso melhor”. Para quem?

Não somos máquinas, já dizia Charles Chaplin em um de seus memoráveis filmes. Somos homens, jamais deveríamos nos esquecer disso. Por mais que pensemos de forma contrária, devemos suprir diversas necessidades para que possamos desempenhar, a contento, nossas mais básicas funções. Ninguém pode viver perseguindo uma quimera, um sonho vazio ou inalcançável. Além disso, somos falíveis e deveríamos aceitar com mais naturalidade esse aspecto de nossa natureza.

O sentido das coisas perdeu-se ou, o que é mais, perverteu-se. Faculdades não ensinam mais, alunos fingem que aprendem, profissionais fingem que são realizados com a função que exercem. Rumamos a uma encenação coletiva geral, na qual, daqui a não muito, não saberemos mais nem mesmo quem somos, tamanho nosso esforço para sermos aceitos conforme os padrões externos. Que tempos, que costumes!

(*) Fábio Coutinho de Andrade é advogado