sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Vamos falar de política?

Ta bom, vou falar só um pouquinho de um assunto que disse que não trataria por aqui. Acho o "impichmento" da Dona Dilma um contrassenso; eu acho um extremo equívoco. Por falar em equívocos, está certo, concordo que ela foi e está sendo um. E mais. Fez despertar o que de mais perigoso pode haver em uma sociedade que pretende se primar pela Ordem e Progresso. A volta de uma direita que já estava quase apagada. Não a direita em sua origem, que são as pessoas conservadoras que defendiam o tradicionalismo, a "hierarquia social" e depois deu vazão aos radicais, racistas, preconceituosos e que não vêem que tudo isso desagua em um banho de sangue onde a vingança acaba sendo o principal motivador das atitudes dos governantes e déspotas. Fez acabar também com a esquerda, que inicialmente era o sonho da igualdade social,  da liberdade de expressão, do fim das injustiças sociais e dos privilégios de uma classe dominante e que hoje desandou quando entraram na caverna do Ali-Babá e viram o ouro cintilando. Ficaram cegos. Petrobrás, só nossa???? Ideologia ficou para trás. Não estou falando da Revolução Francesa. Ja estou falando do Brasil, onde a esquerda hoje reúne movimentos sociais, das chamadas "minorias", e etc e tal. Muitos se colocam como vítimas e acham cômodo transferir culpas. Ordem, ao meu ver, diferente do que muitas pessoas pensam, é necessário ser imposta. Não adianta querer fugir disso. Haja esquerda, direita, centro, lateral direita, seja o que for,  tem que haver disciplina, regras, imposição de conduta. Por que não se vê carros corriqueiramente andando na contramão na rua 14, rua 10, Rua do Comércio? Porque as pessoas já se acostumaram com essa imposição das leis de trânsito. Ordem não é um superior hierárquico mandar um serviçal calar a boca ou utilizar censura, ou fazer as coisas sem uma motivação de interesse público. Alcança-se Ordem com respeito e naturalidade. É o líder natural que estabelece a Ordem de forma tranquila. Somente a partir daí pode-se falar em Progresso. Isso em todos os níveis. Culturais, econômicos, políticos. Dentro de casa, em uma família que há ordem, onde cada um sabe o que faz, com respeito e harmonia, é certeza que haverá progresso, nos níveis mais elevados dessa palavra. Mas estamos falando do Brasil, onde a coluna da corrupção, da escassez de líderes ( isso até em nível mundial) e do jeitinho malemolente e da cultura da "ponta"  está cada vez mais forte e difícil de ser rompida. Esquerda e direita não existe mais. Não adianta papo de querer voltar com regime militar, "porque ele que era o bom". Não funciona. O que funciona é algo que as pessoas gargalham quando se fala. Honestidade, moral e querer político de fazer o bem. Em um governo onde o que prevalece é a corrupção e a falta de bons costumes, quando há uma pessoa  honesta no meio, farão de tudo para atropelá-la ou manchar sua honra. Serão tentações mil. Um amigo disse sabiamente que a moral e a ética, (que resumidamente nada mais são do que fazer o certo, o que não corrompe a consciência)  é como se fosse uma estrada montanhosa e íngreme, onde se levam anos para subir 100 metros. Mas a desonestidade em um meio de perversão, para um honesto se sujar, é tão rápido como cair de um abismo de 100 metros. Poucos segundos. E o mar de lama em que se vive é de muito tempo. Há incautos que acreditam que tudo o que vivemos é denuncismo e perseguição. E há outros incautos que acreditam que fulano " colocaria a coisa nos rumos". Aos incautos eu digo que não adianta tentar se esconder, não adianta espernear, não adianta colocar a culpa em A ou B. O próximo governo do Brasil não acabará com a corrupção, infelizmente.Isso é um sistema implantado de forma muito profunda e que se alastrou. Leva tempo para corrigir. A responsabilidade toda disso tudo que vem acontecendo é nossa. Só nossa. Não é de Dilma, não é de Aécio, Lula, Collor, Zé Dirceu, Lava jato, militares. Nada disso, a culpa é única e exclusiva do povo, nossa. Nós colocamos aquelas pessoas lá. Não acredito nesse negócio de "Fulano de Tal não me representa". Representa demais. Mais do que se pensa. Se quisermos ter uma sociedade de honestidade, justiça, cultura, liberdade, respeito à Ordem e certeza de Progresso, comecemos já tirando as máscaras, comecemos já não transferindo culpas. O político errou, que se faça a justiça. Mas se acostumarmos a "impichar" de forma atropelada os maus governantes, sem usar o devido processo legal e utilizando ou mesmo fustigando o clamor público, viraremos um lugar impossível de viver.  Aí sim poderei dizer que acabou a democracia. Elegeremos outro que será "impichado", pelo precedente aberto e virará uma bola de neve. Doeu quando Pelé falou que brasileiro não sabe votar. Ele não tem o cabedal necessário para entender o que disse e nem no contexto e conjuntura que estávamos. Na época foi uma infelicidade atroz pois foi na época das diretas já. Mas eu pergunto agora. Sabemos votar? Qual o critério que utilizamos para eleger quem decidirá sobre nossa segurança pública, educação, saúde, cultura? Tudo isso sendo prioridade. Em quem você votou para deputado federal, estadual, senador? Para Prefeito e vereador é mais fácil lembrar. Acho necessário quem mergulhe fundo nas entranhas desse mundo das negociatas para revelá-las e desmoronar a coluna da corrupção. Mas não sou competente para fazê-lo. Procuro fazer a minha parte falando com as pessoas esse meu modo de pensar. Tristemente eu não me abalo com mais nada, enalteço algumas pessoas que colocam sua vida em risco cumprindo seu dever em um Brasil tão violento com categorias que deveriam ser muito bem remuneradas, como professores, policiais, agricultores. Acredito no Brasil e nos brasileiros pois vejo a quantidade de gente trabalhadora que em pouco tempo fez desse município o que ele é. Gente que vem de todas as partes do Brasil querendo trabalhar. Não acho que Impeachment seja o melhor caminho para a infeliz D. Dilma. Acho que ela deveria cumprir o seu mandato até o último dia, para que a gente possa aprender a saber escolher. E quando digo Dilma, estou colocando-a como representante do governante atrapalhado, para não ser leviano de julgá-la e respeitando o lugar que ela ocupa. Nós precisamos olhar mais no espelho. Eu sei que ninguém é perfeito e as escorregadelas do dia a dia provam isso. Mas se tivermos o hábito de olharmos no espelho a cada "errinho" cometido, e procurarmos escolher os governantes de forma séria, tenho certeza que um dia ainda seremos um País digno de se viver.

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