sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Gramático e o Dervixe

"Numa noite escura um dervixe passava junto a um poço seco, quando do interior do mesmo brotou uma chamado de socorro.
- Que será? - indagou o dervixe, olhando para o fundo do poço.
- Sou um gramático e infelizmente, por desconhecer o caminho, caí neste poço profundo, em que estou agora quase imobilizado - respondeu o outro.
- Aguenta firme aí, amigo. Vou buscar uma escada e corda - gritou o dervixe.
- Um momento por favor! - exclamou o gramático.
- Sua gramática e pronúncia são incorrectas, seria bom que as corrigisse.
- Se isso é mais importante que o essencial será melhor que você permaneça onde está, até que eu tenha aprendido a falar com elegância e propriedade.
E após dizer tais palavras, o dervixe seguiu seu caminho."


(Conto relatado por Jalaludin Rumi e está registrado em "Feitos dos Adeptos" de Aflaki. Editado na Inglaterra em 1965 sob o título de "Lendas dos Sufis", a presente narrativa acerca dos Mevlevis e suas supostas façanhas foi escrita no século XIV.)

3 músicas, 3 histórias!

Dizem que...


A letra abaixo foi escrita em 1973, por Edson Trindade e a música ficou famosa na voz de Tim Maia. Em qualquer roda que tenha um violão, é imprescindível a sua lembrança. Poucos sabem a sua história; a letra não é para uma namorada ou coisa assim. Edson a compôs depois que perdeu a filha em um acidente.


"Não sei por que você se foi.
Quantas saudades eu senti 
E de tristezas vou viver 
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou a minha vida
Viveu morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro 
E da solidão que em minha porta bate 

E eu gostava tanto de você... 
Gostava tanto de você... 

Eu corro e fujo desta sombra
Em sonhos vejo esse passado 
E na parede do meu quarto 
Ainda esta o seu retrato 

Não quero ver para não lembrar 
Pensei até em me mudar 
Lugar qualquer que não exista 
O pensamento em você 

E eu gostava tanto de você... 
Gostava tanto de você..."

"O MUNDO É UM MOINHO"
Essa outra famosa música, "O Mundo é um Moinho", Cartola não compôs para um amor perdido ou algo semelhante e sim, depois que soube que sua filha era prostituta. Vejam como a letra faz sentido depois que sabemos a história:
"Ainda é cedo, amor...
Mal começaste a conhecer a vida,
Já anuncias a hora de partida,
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar...

Presta atenção, querida,
embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és...

Ouça-me bem, amor.
Presta atenção, o mundo é um moinho...
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó...
Presta atenção, querida,
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés."
A HISTÓRIA DA MÚSICA 'FLOR DE LIZ'

Djavan teve uma mulher chamada Maria, os dois teriam uma filha que se chamaria Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teria que optar por sua mulher ou por sua filha... Ele pediu ao médico que fizesse tudo que pudesse para salvar as duas, mas o destino foi duro e a mulher e a filha faleceram no parto. Agora é possível 'sentir' a letra da música. Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte:
"Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor, eu sei que o erro aconteceu.
Mas não sei o que fez, tudo mudar de vez.
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei.

Será talvez que a minha ilusão,
Foi dar meu coração,
Com toda força,
Pra essa moça me fazer feliz,
E o destino não quis,
Me ver como raiz, de uma flor de Liz.
E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira.
Morto na beleza fria de Maria.
E o meu jardim da vida ressecou e morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu.
E o meu jardim da vida ressecou, morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu..."

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Todo mundo precisa de feedback

Outro dia presenciei uma cena interessante e que reflete uma “globalização”de costumes, que vem se manifestando de forma inusitada e surpreendente. Passei em frente a uma construção e um pedreiro gritava para o ajudante assim: Ei Zé, não sobe para a laje agora não, fica de stand-by aí embaixo...Achei engraçado ele utilizar um termo em inglês (com a pronúncia certa) que há alguns anos atrás estava restrito aos papos-cabeça de intelectuais e “metidinhos a inteligentes”, de uma forma assim natural!

Hoje em dia todo mundo quer parecer esperto, inteligente e na moda. Recebi um e-mail de um leitor e resolvi abrir com vocês as críticas que ele me fez, que tem tudo a ver com o diálogo do pedreiro. Claro que fiz algumas adaptações para dar uma “ilustrada”, mas a essência permanece: “ Caro colunista, outro dia, lendo sua coluna, tive um insight interessante a respeito do isolamento que nós estamos aqui na Amazônia. É isso mesmo.

O mundo dito ‘civilizado’ nos relega a um plano underground meio cult meio trash e se aproveita de um suposto distanciamento, criando as suas próprias filosofias a nosso respeito. Fazem um check-list de nossas pseudo necessidades e vem sempre com o mesmo discurso blasé, depreciativo e mascarado a respeito dos chamados povos da floresta. Olha colunista, a impressão que tenho é que estamos sempre em off; o fato de o mundo achar que somos undergrounds não é nem um pouco positivo para nós, pois a nossa voz não é marcante o suficiente para que tenhamos o necessário feedback. Todo mundo precisa de feedback, colunista!

Hoje em dia as distâncias não separam nem isolam ninguém. Ta todo mundo linkado com as novidades e avanços do mundo moderno. Do Oiapoque ao Chuí. Engana-se quem pensa que somos menores ou inferiores a quem quer que seja. Estamos todos plugados, antenados ao que há de mais moderno. É só ver como andam lotados os Cyber´s e Lan-Houses daqui e de qualquer cidadezinha do interior desse estado (ou desse País). Aliás, cybers já estão acabando. Qualquer celular é um cyber.

Hoje em dia, todo caboclo que se preza tem que estar ligado, zapeando legal e entender do riscado cibernético. Então, colunista, estou te dando esse feedback para que você possa, com seu feeling jornalístico, trazer assuntos menos regionais e mais abrangentes, focando um público mais in.

Sem mais, um leitor atento aos avanços do mundo.”

Ao receber esse e-mail eu me lembrei imediatamente de uma música de um caboclo do Tocantins chamado Juraíldes da Cruz que fala assim:

“Se farinha fosse americana, mandioca importada, banquete de bacana era farinhada. Andam falando que nóis é caipora, que nóis tem que aprender inglêis, que nóis tem que fazê sucesso fora. Deixa de bestaje, nóis nem sabe o portuguêis. Nóis somo é caipira pop. Nóis entra na chuva e nem móia, meu I love you, nóis é jeca mais é jóia.”

Filho


Filho é bom, impulsiona, não me faz ficar parado;
me faz pensar e agir. Me faz suar e  rir. Me faz acordar
Me faz dormir para acordar e crescer. Me faz ensinar
 a ser professor e aluno,  explica sem explicar, o que é o Amor.
Quer tudo ao mesmo tempo, agora.
Filho me ensina a não querer morrer.

O Poema fala

Quem fala, fala, extrapola a fala
Atropela as palavras, já não sabe
O que de si saiu;  não cala porque se perdeu.
E quer se encontar mas já não sabe.
“Porque não te calas?” Porque é ‘permisso’
A alguns o direito de abrir a boca e falar
E ensinar o que não aprendeu.
Falar demais incita a ira, calar as vezes também.
O coração do homem é um cofre

Cujo segredo são palavras.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Nome de santo....

Dos Santos, de Jesus, Santana, são centenas que são
criminosos inescrupulosos com nome nas páginas policiais. 
Não são apenas os Silva
que são apontados como nome simples
que estão respondendo a crimes hediondos.
De Marcos a Mateus, de Lucas a João, de José a Paulo.
Nomes e homens. Amigos ou não. Santos e pecadores.
A melhor forma de se conhecer que uma pessoa
não sabe ser amigo é como ele se comporta
com um pequeno sucesso de outro.
Se houver competição ou lá no fundo ,
bem no fundinho, detectar-se um fino amarguinho de mal estar
 está lá o sentimento terrível, inconfessável,
impeditivo de crescimento e com nome feio
que é chato até de escrever, veja! 
Quem sofre desse mal e o dedica a um pseudo amigo,
não tem amigo nenhum, simplesmente porque não sabe ser amigo.
Independente do nome. Amizade é, antes de tudo uma ciência. 
O amigo se doa, se coloca à ordem quando mais se precisa
e está do seu lado até quando menos se precisa.
Amigo sabe dar, sabe servir, sabe pensar primeiro no outro do que nele.
 De que adianta o seu filho ter nome de santo?

E quando...

E quando todas as esperanças se esvaírem,
quando nada mais houver no seu íntimo
que lhe dê uma mínima esperança de continuar a viver,
não adiantam palavras,
não adiantam abraços,
não adiantam apelos.
 Quando aquele sentimento amargo lhe subir de dentro para fora
lentamente, como uma mão, apertando
Não o deixe dentro!
Viva o suficiente para derrotá-lo.

(Olinto Campos Vieira)

Pessoa

Pessoa, Pessoa
Não criaste apenas nomes
Recebeste Pessoas
Uma só não bastava
Outras precisavam existir
Eu sei, somos todos nós
Adivinhaste , Pessoa!
Mais!  Leste algumas almas,
Recebeste o furor de uns, a mansidão de outros
Num só Pessoa, em mil se multiplicaram.
E sofreste, Poeta, as dores de todos.
Choraste minhas lágrimas, anteviste meu desterro
Eu não soube perceber.
Os poetas sofrem e você muito mais,
Por que não vivem as palavras
Vivem o sentimento, aflorado, latente
Não é apenas a palavra, é o que ela invoca
Traduziste, trabalhaste, gravaste e viveste.
“Poetas do mundo, reuní-vos”
Foste tu quem chamaste para si este legado
Não nos deixaste nada, estás aqui.
Porque em todo poeta há Deus
Adeus no poeta não existe
Por que eles são chegantes, apenas. Não partem
Não há poeta indo, abra um livro e veja
Veja sempre um poeta chegando.

(Olinto Campos Vieira)

O Banheiro do Congresso Nacional I

Um homem de verdade nunca é preguiçoso.
Mas preguiça não quer dizer nada fazer
Preguiça é passar pelo mundo fazendo
Os mais preguiçosos são os que mais fazem
A qualquer hora do dia e da noite, eles fazem
Em momentos inimagináveis, fazem
Um preguiçoso não se contem
Produz o que mais povoa o mundo
A má política, o entretenimento fútil
Toda série de coisas ruins,
Eles fazem por dinheiro, cobram caro
A preguiça faz do genio um fazedor
Mas um homem de verdade não precisa nem ser notado
Como a maioria não é.
E chamo de homem quem vive a vida
Fazendo o bem.
Quando faz o mal sufoca, quase morre.
Não se contenta enquanto não se redime
Redenção consigo mesmo,
Homem mesmo chora a dor.
Homem mesmo sabe quando errou;
Já os preguiçosos se sentem certos.
Diferente do que pensam,
Os preguiçosos não param de trabalhar
Trabalham a obra tenebrosa e fétida
Insignificante e de vida curta
Trabalham até espumar os cantos da boca
Trabalham até suar as têmporas
Alguns querem ser diferentes mas já não podem
Por que o habito de produzir já os consumiu
Até quem pensa que não está fazendo,
Quando menos se espera, la estão eles na labuta
Duas três, quatro vezes, fazem.
E fazem gemendo ou silenciosos
Urrando ou olhando o chão. O chão.Estão no chão.
E enquanto fazem não pensam senão no que fazem
Concentrados, animados, vantajosos
Soberbamente eufóricos com o tamanho do que fazem
Orgulhosamente, olham o que fazem, gostam do que veem
E consigo dizem, os preguiçosos: Eu fiz! Fiz! Sim, fiz!
Somente aí desapegam-se da obra.
E apertam o botão da descarga.
Vendo a obra escorregar, dançando cano baixo, rodando.
'E logo então, saem por ai a produzir mais,
Governam sem temperança súditos mais preguiçosos ainda
formam legiões, vão a guerras
estão destinados a historia de pequenos mundos transitórios
cantarolam sem parar musicas sem sentido
eles não se cansam de esperar a próxima tragédia particular 
fuçam todos os sites em busca de escândalos
os homens preguiçosos alardeiam sobre si mesmos,
historias que nunca viveram
livros que nunca leram, filmes que nunca viram.
Deitam cedo e sonham com o cotidiano
que moram em suas mentes como peste.
O homem de verdade não precisa buscar
na memoria a verdade que viveu
Assim não precisa repetir mentalmente quem ele é.
O homem preguiçoso obra em tudo que faz 
e esparrama isso em um mundo cheio de inutilidades.
Tenta decorar a historia que conta, 
no interesse de manter a mentira como verdade.
o homem de verdade versa sobre si na pratica do bem,
o preguiçoso versa sobre a pratica do bem do outro.'

Olinto e Lincoln Campos Vieira

Tigresa

Tigresa, você tem os olhos sinceros
Só se engana quem quiser, ou for tolo.
Mas eu te acho "tetéia", para usar um termo "sukita", bem anos 70
E doce com o coração, despejando amor e bem querer
Uma fera que calma anda lentamente, quase em câmera lenta
A observar os mínimos movimentos ao seu redor
Movimenta só com os olhares soltando informações
E as pessoas tem medo da tetéia com massa encefálica
Estranham o que há dentro daquela cabeça
Pois os olhos só vêem o corpaço e a beleza
Ah tetéia, você pode não acreditar no que quiser
Desde que acredite em mim e em quem te gosta
Recusa-se a ver Dorian Gray imaculado de cinza
Prefere sempre o original, deturpado de Wilde.
Wild, Take a walk on the wild side
Isso você ja faz ha tempos
Desafia a zona de conforto e se sobrepõe ao que era antes
Se refaz de qualquer dor e permanece atual
Uma fera que ruge 
Mas sintoque só quer dormir com uma canção de ninar

Ah, eu sei lá o que eu penso disso...


E há quem conceitue poemas, como se conceitue bolos ou balas
Ou whiskies ou um bife no ponto com vinho adequado, isso é certo, Ariano? É pobre construir rimas? Um poema não deve ter rimas, fica é menor por isso?
Desde que descobriram que amor rima com dor é essa lenga lenga. Vai Machadão, você que começou com essa história toda, é responsabilidade sua, não queira sair de fininho, olhando de soslaio, como os olhos de Capitu. Prosa ou verso? Responda:
”- Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna á gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:”
Eu mesmo não faço soberba nenhuma dos dois, diz Machado.
Quisera todos os ditos poetas ter o talento de rimar,
Em prosa, então, é uma magistralitude. Ah, que pena, eu desobedeci as novas regras ortográficas e criei uma palavra? E o que eu ando obedecendo, vale a pena? Machado você ficaria de fora hoje, do grande banquete dos suntuosos escritores.
Tão antiquado, fora de moda, seria no máximo auxiliar de Gilberto Braga ou Aguinaldo Silva disputando quem faria um beijo gay em uma novela.
Ou um escritor, tantos, que vivem a mercê da caridade Ranouet.
Já pensou Machado, uma Academia por ti criada e frequentada pelo que há de mais vil?Permita-me rimar, leitor; ele se não fosse, rezaria para ser senil,
Que sentiria ao ver sua elite de escritores frequentada por bisonhos marimbondos de fogo?
Vamos colocar frente a frente, Roberto Marinho e Olavo Bilac. Há diferença? Um construiu um império, foi Imperador e outro é o Roberto Marinho da Globo. Só. O império de Bilac é maior que o Projac ao cubo,
Ou já é uma normal colocar empresários e políticos na Academia Brasileira de Letras.
Ariano Suassuna deve ter dado boas gargalhadas por dentro.
Eu fosse Marco, me sentaria no chão,
Fazendo companhia a outros, quando se reunissem.
Afinal Castro Alves é patrono da Casa.
E o que é que tem Maciel sentar-se no chão? Como um sofrível aprendiz.
Ariano deitou-se quantas vezes no chão de aeroportos e fez companhia a ti?
Imagine Drummond vivo, sucedendo a cadeira do falecido Marco Maciel.
Ou o mesmo fazendo Clarice Lispector, Mario Quintana, Graciliano Ramos, Paulo Lemminsky. Nenhum foi acadêmico e Marco é Imortal.
Castro Alves não deixaria Sarney na senzala, nem FHC, nem Pitanguy.
Senzala é lugar nobre. Casa Grande também (depende da casa).
Alvares de Azevedo, há quem conceitue seus poemas, sabia?
Há quem critique rimas, coisa fora de moda.
Mas Tom Zé inacadêmico e desobediente mandaria quem conceitua “ ir tomar no verbo, seu filho da letra”, Como Jorge mautner grita:
" De Camões a Fernando Pessoa
Nos somos resultado
Dessa peregrinação longíngua
De combates e de glórias
De afirmação do bem contra o mal,
E mesmo na era cibernética,
No mundo digital, no holograma
Ali está Jorge
Triunfante lá na frente de todos nós,
É a pipoca da pororoca da imaginação"
Ah, deixa eu ir alí....

O Tempo e as pessoas

Qual é o tempo suficiente para que uma pessoa transforme a sua vida, recomponha pensamentos, transforme sentimentos, minimize tempestades, amadureça, saiba se relacionar melhor com as pessoas?  dois, três anos? Dez. Essa é a meta. Transformação. Mesmo que os erros que ela cometa mostrem para quem está de fora que ela parece ser a mesma pessoa.
Esse é o ato de paralisação mental de terceiros, subestimar a capacidade de crescimento das pessoas diante do que ela vê superficialmente. Ou do que não vê. Você dorme com bons propósitos de melhoramento no dia seguinte e no outro. Mesmo que você tropece, aquela força de vontade permanece e isso é o que vale. Faz quantas vezes puder até acertar-se consigo mesmo.
Errou? Aprenda com o erro, mas isso não impede de errar o mesmo erro. Até não errar mais. Não é a vida que ensina, nós é que aprendemos, na marra, com o joelho ralado, coração disparado, com medo. Um perdão, uma palavra, uma atitude negativa que definitivamente não será mais repetida. Aquela pessoa eu conheço, sei o ponto fraco dela. É o pensamento principal de quem está parado no mesmo lugar e o mundo girando.
Parar de trabalhar incessantemente em busca de juntar dinheiro ou distribuir vaidades. Se puder, escolher aquilo que alcance melhor potencial, com gosto. Se for possível, não fazer nada, com a mente fervilhando em ideias criativas e no tempo possível, concretizá-las. Quem te viu há tempos atrás tem um conceito sobre você mas não sabe o que lhe aconteceu nas duas últimas décadas.
Você mudou, cresceu, aprendeu a ser um pouco mais forte, ter um pouco mais de liderança, um tanto mais de sabedoria, conhecimento, rugas, dores e, para quem sabe ver, beleza. Sabe que envelhecer dessa forma é bonito. Não estranha rugas nem fica obcecado por elas. Aprendeu a conviver mais com as dores que sofreu e por isso valoriza dez minutos de descanso. Sabe que não precisa colocar os olhos mais nas pessoas e sim em você mesmo.
Sabe que não precisa ter um depósito de dinheiro como tinha o Tio Patinhas e que a “moeda número um” é o seu coração. Tem consciência de que a sorte é fruto de atos antes praticados, de trabalho. Sabe o que é realmente o trabalho. As vezes dez minutos de travesseiro representa um trabalho extenuante, cansativo e produtivo. Sabe que as lágrimas são salgadas pois já sentiu o gosto delas várias vezes e decidiu sentir cada vez menos.
Preocupa-se menos com as dietas, com as neuroses fantasiosas de homens que existem para encher a caverna de Alí-babá de jóias com fórmulas mágicas para comer e não comer. A partir de um momento você não precisa ser mais iludido com as coisas inúteis da vida e se empenha em fazer o que é para ser feito. “Fazer a parte que te cabe neste latifúndio”.
Amar, abraçar, sorrir, ouvir uma música, dormir leve, trabalhar em um clima amistoso já é mais importante do que receber aquele dinheiro que o credor não quer ou não pode pagar. Não poder pagar já não se torna tão avassalador quando você já construiu um nome com credibilidade pois problemas e dificuldades todos passamos e as pessoas confiam em você e sabe que pagará. Não, você não é mais o mesmo, mesmo que pensem. Ninguém é mais o mesmo, até o mais acomodado dos seres. Se for, que mude, por ele.  Então, que vivamos a nossa vida e possamos ver um pouco além das aparências. ( Olinto Campos Vieira)

sábado, 10 de junho de 2017

Tudo igual no placar diferente


  •  Intelectuais  contemporâneos  

  •       Eu não tenho o mesmo vigor como tem o Gilmar, quando ri ironicamente dos que considera incapazes e se inclina , olhando para o alto de olhos esbugalhados e boca esparrachada: rarará! De onde vem a força daquele moço? Será que vaidade fortalece fisicamente? Parece que sim. Tantas perdas em tão pouco tempo, Belchior, Jerry, Wilker puxa vida! Sei que é preciso ser "macho" para permanecer homem nas salas de tapetes felpudos e cadeiras fofas de um lugar chamado erroneamente de "suprema corte". E não se esquecer, diante de tanto luxo, que está no Brasil, onde ainda se come lagartixas e milhares dormem pelas ruas.  Saber realmente onde a pessoa se encontra atrás das aparências e deferências  é tarefa para grandes que ainda tenho esperança que existam. Mas como existem Gilmar, Celso, Marcorélio, Levando! E os ratos mais magros, catititinhas, ratos domésticos como..., você sabe!! Mas nem tudo está perdido. E não estará. Nem os enganados que fingem que já sabiam de tudo e na realidade , falam o que julgavam ser a desculpa esfarrapada: "eu não sabia de nada!". Ah, é sim! Tá certo. Ou nao!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Aprendendo a ser melhor com o Tempo

Por mais que o tempo passe e nos dê sustos quando olhamos fotos antigas e filhos de filhos de amigos de infância, nada disso me deixa sensação de " velhice" . Me sinto cada vez mais jovem e cada vez melhor que ontem. Paralelamente, me entristeço com pessoas do meu convívio que, amargas, não souberam extrair o melhor do tempo; não souberam procurar se melhorar e tentam  resvalar com o seu rancor o brilho alheio " O melhor o tempo esconde", basta procurar. Chegar em um ponto da vida com conteúdo, amigos, produtivo e com a sensação de que "menos é mais", de que é preferível ouvir uma boa música do que discutir o sexo dos anjos é muito melhor do que ter saudade dos cabelos ou do corpo atlético. Cabeçadas na vida em qualquer idade não estamos livres, e graças a Deus existem os erros para continuarmos aprendendo a nos sentirmos melhores ao superá-los. Não vivo de nostalgia. O melhor lugar do mundo é aqui é agora, como já disse Gilberto Gil. ( Olinto Vieira 07/06/17 , 22:27)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

curso normal

Quanto mais o tempo passa, as coisas vão seguindo o seu curso normal, dia após dia. E mesmo assim, os dias sendo diferentemente iguais, temos surpresas; umas boas, umas nem tanto. Convivemos desde cedo com as marcas vermelhas das bordoadas da vida. A maioria de nós, em seus momentos de maior desespero, como se estivéssemos presos no tronco, qual escravos, sem gemidos, cansados e resignados até com o peso do chicote e seus duros golpes. Anestesia. Em momentos de maior desespero, brasileiro se iguala a suíço, cada qual com sua dor particular que só cada um sabe a intensidade. Peso igual é o da alegria, do sentimento de felicidade por algo tão desejado, que é solenemente ignorado pela maioria dos viventes. Aquela vontade de abraçar o mundo permanece, mas o mundo nem se move com nossa alegria.  Natural; cada um com seu cada qual. E o rio vai passando, todos os dias, no mesmo caminho, alguns calmos, outros mais corridos; alguns dias fazem sol, outros a chuva balança os galhos da árvore e enquanto isso, em uma janela, lágrimas caem e sorrisos se iluminam. Por muitas vezes, as tristezas e as alegrias são no mesmo momento na vida de pessoas diferentes. Um raio cai sim, no mesmo lugar duas, três vezes seguidas. Só nós sabemos disso; não existe famoso ou endinheirado, anônimo ou pobretão que não seja necessitado e carente. Vivemos em um mundo de pedintes; todos pedimos, seja para quem for, seja o que for, demonstramos sem pudor nossa condição humana em algum momento na vida. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Aos que virão

Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente - 
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.

Thiago de Mello